Casamento em religiões afro-brasileiras

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Trazidas da África no período da escravização de seus povos por portugueses, e influenciada por outros elementos culturais, principalmente o catolicismo devido ao sincretismo religioso, as religiões afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda, apesar de sofrerem muito preconceito, pregam o amor de uma maneira pura e o casamento possui, em muitos casos, o mesmo efeito legal da cerimônia civil.

A preparação

Não há necessidade de noivado, mas também não há impedimentos quanto a isso. Qualquer pessoa, em qualquer situação, poderá se casar, até mesmo pessoas do mesmo sexo, porém é recomendado o seguimento das regras civis, principalmente se os noivos realizarão o casamento civil na cerimônia.

Para eles, o casamento é um ritual importante, onde há a presença espiritual de divindades e espíritos de luz. O casal precisa estar consciente e livre para tomar essa decisão, pois serão companheiros de vida e de amadurecimento espiritual. Caso a união deixe de ser benéfica para os dois, eles poderão consultar seu sacerdote e pedir a separação.

Não há ritos de preparação rígidos. Mas como é um ritual importante, normalmente são realizadas purificações dos noivos, com banhos de ervas na véspera e no dia, por exemplo. Os noivos podem vestir branco (Candomblé) ou a cor de seus pais de cabeça (orixás), na Umbanda, podendo usar guirlandas de flores no pescoço ou coroas de flores.

Geralmente os casamentos acontecem nos Terreiros, mas podem ser celebrados em meio à natureza, como uma praia ou no campo. O uso do branco na decoração representa a pureza e também a conexão com o divino. No Candomblé é mais comum o uso dessa cor, já na Umbanda outras cores e até estampas podem ser usadas na decoração. Há um altar decorado com muitas flores, frutas (e cada uma possui um significado, como saúde, prosperidade, amor, fartura…) e outros elementos da natureza que acharem propícios.

A cerimônia

Os padrinhos não são numerosos e há também a escolha de padrinhos espirituais. Os noivos caminham juntos até o altar onde o pai ou mãe de santo, na Umbanda, ou Yalorixá ou Babalorixá, no Candomblé, os aguarda. Como não há regras rígidas para os ritos, que variam de um local para outro, há várias formas de celebração. Ritos são realizados, são lidos textos sagrados, cantos de ponto…, de acordo com os costumes de cada terreiro.

Os noivos trocam alianças, que antes são ungidas com azeite, e seus votos. Em alguns terreiros é comum o ritual das fitas no momento dos votos: a noiva põe sua mão por cima da mão do noivo (direita ou esquerda) e o sacerdote as amarra com uma fita branca com seus nomes bordados em verde. Após os votos, são considerados casados. Antes de saírem, assinam os papeis de efeito civil e são abençoados pelos médiuns presentes e pelo Sacerdote.